{"id":11712,"date":"2025-06-05T17:35:38","date_gmt":"2025-06-05T20:35:38","guid":{"rendered":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/?p=11712"},"modified":"2025-06-05T17:35:39","modified_gmt":"2025-06-05T20:35:39","slug":"primeira-turma-do-stj-define-criterios-objetivos-para-reconhecer-dano-moral-coletivo-em-casos-de-lesao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/primeira-turma-do-stj-define-criterios-objetivos-para-reconhecer-dano-moral-coletivo-em-casos-de-lesao-ambiental\/","title":{"rendered":"Primeira Turma do STJ define crit\u00e9rios objetivos para reconhecer dano moral coletivo em casos de les\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) fixou sete crit\u00e9rios objetivos para a an\u00e1lise de situa\u00e7\u00f5es de les\u00e3o ao meio ambiente que possam justificar a condena\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos. Os par\u00e2metros s\u00e3o os seguintes:<\/p><p>1) Os danos morais coletivos n\u00e3o adv\u00eam do simples descumprimento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, exigindo constata\u00e7\u00e3o de injusta conduta ofensiva \u00e0 natureza.<\/p><p>2) Os danos decorrem da pr\u00e1tica de a\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es lesivas, devendo ser aferidos de maneira objetiva e&nbsp;<em>in re ipsa<\/em>, n\u00e3o estando atrelados a an\u00e1lises subjetivas de dor, sofrimento ou abalo ps\u00edquico da coletividade ou de um grupo social.<\/p><p>3) Constatada a exist\u00eancia de degrada\u00e7\u00e3o ambiental, mediante altera\u00e7\u00e3o adversa das caracter\u00edsticas ecol\u00f3gicas, presume-se a les\u00e3o intoler\u00e1vel ao meio ambiente e a ocorr\u00eancia de danos morais coletivos, cabendo ao infrator o \u00f4nus de informar sua constata\u00e7\u00e3o com base em crit\u00e9rios extra\u00eddos da legisla\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p><p>4) A possibilidade de recomposi\u00e7\u00e3o material do meio ambiente degradado, de maneira natural ou por interven\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, n\u00e3o afasta a exist\u00eancia de danos extrapatrimoniais causados \u00e0 coletividade.<\/p><p>5) A avalia\u00e7\u00e3o de les\u00e3o imaterial ao meio ambiente deve tomar por par\u00e2metro exame conjuntural e o aspecto cumulativo de a\u00e7\u00f5es praticadas por agentes distintos, impondo-se a todos os correspons\u00e1veis pela macroles\u00e3o ambiental o dever de reparar os preju\u00edzos morais causados, na medida de suas respectivas culpabilidades.<\/p><p>6) Reconhecido o dever de indenizar os danos morais coletivos em mat\u00e9ria ambiental (<em>an debeatur<\/em>), a grada\u00e7\u00e3o do montante reparat\u00f3rio (<em>quantum debeatur<\/em>) deve ser efetuada \u00e0 vista das peculiaridades de cada caso e tendo por par\u00e2metro a contribui\u00e7\u00e3o causal do infrator e sua respectiva situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica; a extens\u00e3o e a perenidade do dano; a gravidade da&nbsp;culpa; e o proveito obtido com o il\u00edcito.<\/p><p>7) Nos biomas arrolados como patrim\u00f4nio nacional pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art225%C2%A74\">artigo 225, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, o dever coletivo de prote\u00e7\u00e3o da biota det\u00e9m contornos jur\u00eddicos mais robustos, havendo dano imaterial difuso sempre que evidenciada a pr\u00e1tica de a\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es que os descaracterizem ou afetem sua integridade ecol\u00f3gica ou territorial, independentemente da extens\u00e3o da \u00e1rea afetada.<\/p><p>Com base nesses crit\u00e9rios, no caso concreto analisado, o colegiado restabeleceu condena\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos em caso de supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa na Amaz\u00f4nia Legal sem autoriza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os competentes e em viola\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p><p>Apesar do parcial&nbsp;provimento&nbsp;do recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso, o caso dever\u00e1 retornar ao Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso \u2013 que havia afastado a ocorr\u00eancia dos danos morais coletivos \u2013 para an\u00e1lise de pedido subsidi\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o do valor da indeniza\u00e7\u00e3o, fixada em R$ 10 mil em primeiro grau.&nbsp;<\/p><p><strong>Leia tamb\u00e9m:&nbsp;<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2024\/16062024-Dano-moral-coletivo-como-o-STJ-interpreta-a-ofensa-que-atinge-valores-de-toda-a-comunidade.aspx\">Dano moral coletivo: como o STJ interpreta a ofensa que atinge valores de toda a comunidade<\/a><br><br><a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2023\/07112023-Segunda-Turma-reconhece-dano-moral-coletivo-por-desmatamento-em-area-amazonica-de-Mato-Grosso.aspx\">Segunda Turma reconhece dano moral coletivo por desmatamento em \u00e1rea amaz\u00f4nica de Mato Grosso<\/a><\/p><h2 class=\"wp-block-heading\">Extens\u00e3o da \u00e1rea degradada, por si s\u00f3, n\u00e3o afasta a ocorr\u00eancia de dano extrapatrimonial<\/h2><p>Relatora do recurso, a ministra Regina Helena Costa destacou que o artigo 225, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal confere prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica especial \u00e0 Floresta Amaz\u00f4nica, \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica, \u00e0 Serra do Mar, ao Pantanal e \u00e0 Zona Costeira, ao reconhec\u00ea-los como patrim\u00f4nio nacional. Para a ministra, os danos ambientais nessas \u00e1reas configuram il\u00edcito contra bem jur\u00eddico coletivo, exigindo repara\u00e7\u00e3o ampla, inclusive em sua dimens\u00e3o imaterial.<\/p><p>A magistrada ressaltou que, al\u00e9m da responsabiliza\u00e7\u00e3o por danos materiais, o princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral imp\u00f5e a recomposi\u00e7\u00e3o completa do dano ecol\u00f3gico, o que inclui a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais difusos. A ministra apontou que esses danos s\u00e3o presumidos (<em>in re ipsa<\/em>) e independem de prova de sofrimento subjetivo, conforme estabelecido nos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l7347orig.htm\">artigos 1\u00ba, inciso I, da Lei 7.347\/1985 (Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica)<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6938.htm#art14\">14, par\u00e1grafo 1\u00ba, da Lei 6.938\/1981 (Pol\u00edtica Nacional do Meio Ambiente)<\/a>.<\/p><p>&#8220;A constata\u00e7\u00e3o de danos imateriais ao meio ambiente n\u00e3o deflui, por si s\u00f3, da atua\u00e7\u00e3o do agressor em descompasso com as regras protetivas do meio ambiente, reclamando, em verdade, a intolerabilidade da les\u00e3o \u00e0 natureza e cuja ocorr\u00eancia \u00e9 presumida, cabendo ao r\u00e9u afastar sua caracteriza\u00e7\u00e3o com base em crit\u00e9rios extra\u00eddos da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, diante da distribui\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>pro natura<\/em>&nbsp;do \u00f4nus probat\u00f3rio, nos moldes da&nbsp;S\u00famula 618&#8243;, disse a ministra.<\/p><p>Ainda segundo Regina Helena Costa, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afastar a ocorr\u00eancia de danos extrapatrimoniais com base apenas na extens\u00e3o da \u00e1rea degradada. A ministra defendeu uma an\u00e1lise que considere o efeito cumulativo de m\u00faltiplas a\u00e7\u00f5es degradantes, praticadas por diferentes agentes.<\/p><p>&#8220;A il\u00edcita supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa situada na Floresta Amaz\u00f4nica contribui, de maneira inexor\u00e1vel, para a macroles\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e0 maior floresta tropical do planeta, cujos hist\u00f3ricos \u00edndices de desmatamento p\u00f5em em risco a integridade de ecossistema especialmente protegido pela ordem jur\u00eddica, raz\u00e3o pela qual todos aqueles que, direta ou indiretamente, praticam condutas deflagradoras de uma \u00fanica, intoler\u00e1vel e injusta les\u00e3o ao bioma s\u00e3o correspons\u00e1veis pelos danos ecol\u00f3gicos de cariz extrapatrimonial, modulando-se, no entanto, o&nbsp;<em>quantum<\/em>&nbsp;indenizat\u00f3rio na medida de suas respectivas culpabilidades&#8221;, concluiu.<\/p><p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=313306829&amp;registro_numero=202402661812&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20250521&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.200.069<\/a>.<\/p><p><strong>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;<\/strong><strong>processo(s):<\/strong><strong> <\/strong><strong><a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%202200069\">REsp 2200069<\/a><\/strong><\/p><p><strong>Fonte: STJ<\/strong><\/p>\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) fixou sete crit\u00e9rios objetivos para a an\u00e1lise de situa\u00e7\u00f5es de les\u00e3o ao meio ambiente que possam justificar a condena\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos. 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