{"id":12186,"date":"2025-06-17T15:58:41","date_gmt":"2025-06-17T18:58:41","guid":{"rendered":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/?p=12186"},"modified":"2025-06-17T15:58:43","modified_gmt":"2025-06-17T18:58:43","slug":"crime-de-falsa-identidade-nao-exige-obtencao-de-vantagem-e-se-consuma-no-ato-de-fornecer-dado-incorreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/crime-de-falsa-identidade-nao-exige-obtencao-de-vantagem-e-se-consuma-no-ato-de-fornecer-dado-incorreto\/","title":{"rendered":"Crime de falsa identidade n\u00e3o exige obten\u00e7\u00e3o de vantagem e se consuma no ato de fornecer dado incorreto"},"content":{"rendered":"<p>\u200bSob o rito dos recursos&nbsp;repetitivos&nbsp;(<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/repetitivos\/temas_repetitivos\/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&amp;tipo_pesquisa=T&amp;cod_tema_inicial=1255&amp;cod_tema_final=1255\">Tema 1.255<\/a>), a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que o delito de falsa identidade, previsto no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del2848.htm#art307\">artigo 307 do C\u00f3digo Penal<\/a>, \u00e9 crime de natureza formal, que se consuma quando o agente fornece, consciente e voluntariamente, dados inexatos sobre sua real identidade. Sendo assim, a caracteriza\u00e7\u00e3o da conduta independe da obten\u00e7\u00e3o de vantagem para si ou para outrem, bem como de preju\u00edzo a terceiros.<\/p><p>O relator do&nbsp;repetitivo, ministro Joel Ilan Paciornik, explicou que o crime de falsa identidade tutela a f\u00e9 p\u00fablica na individua\u00e7\u00e3o pessoal, ou seja, a confian\u00e7a que se tem, nas rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou privadas, quanto \u00e0 identidade, \u00e0 ess\u00eancia, ao estado civil ou outra qualidade juridicamente relevante da pessoa.<\/p><p>Segundo o magistrado, esse tipo penal exige a pr\u00e1tica de uma conduta comissiva somada a uma vontade consciente de atribuir a falsa identidade a si mesmo ou a outra pessoa. Al\u00e9m disso, prosseguiu, \u00e9 necess\u00e1rio verificar se o delito est\u00e1 associado \u00e0 finalidade de obter algum tipo de vantagem ou causar dano a algu\u00e9m.<\/p><h2 class=\"wp-block-heading\">Retrata\u00e7\u00e3o do agente e alega\u00e7\u00e3o de autodefesa<\/h2><p>No entanto, o relator lembrou que j\u00e1 existe entendimento doutrin\u00e1rio e posi\u00e7\u00e3o consolidada da jurisprud\u00eancia do STJ no sentido de que a efetiva obten\u00e7\u00e3o do fim pretendido pelo agente \u00e9 irrelevante para a configura\u00e7\u00e3o do crime, devido \u00e0 sua natureza formal.<\/p><p>&#8220;Portanto, a consuma\u00e7\u00e3o delitiva ocorre assim que o agente inculca a si ou a outrem a falsa identidade, sendo irrelevantes a causa\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ou a obten\u00e7\u00e3o de efetiva vantagem pelo agente. \u00c9 indiferente, para a consuma\u00e7\u00e3o t\u00edpica, o fato de o destinat\u00e1rio da declara\u00e7\u00e3o falsa verificar, em sequ\u00eancia, a real identidade do indiv\u00edduo, ou mesmo ter o pr\u00f3prio agente se identificado corretamente em momento posterior&#8221;, destacou Paciornik.<\/p><p>O ministro esclareceu que a eventual retrata\u00e7\u00e3o do agente n\u00e3o afasta a&nbsp;tipicidade&nbsp;da conduta, nem justifica a aplica\u00e7\u00e3o do instituto do arrependimento eficaz, pois o crime de falsa identidade j\u00e1 se encontra consumado.<\/p><p>Outro ponto destacado por Paciornik quanto \u00e0&nbsp;tipicidade&nbsp;se refere \u00e0 hip\u00f3tese de atribui\u00e7\u00e3o da falsa identidade perante autoridade policial com base no princ\u00edpio constitucional da autodefesa. Nesse caso, ele mencionou a&nbsp;S\u00famula 522&nbsp;do STJ, al\u00e9m de precedentes da corte (<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/repetitivos\/temas_repetitivos\/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&amp;tipo_pesquisa=T&amp;cod_tema_inicial=646&amp;cod_tema_final=646\">Tema 646<\/a>) e do Supremo Tribunal Federal (<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4069490&amp;numeroProcesso=640139&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=478\">Tema 478<\/a>) que rejeitam essa possibilidade.&nbsp;<\/p><h2 class=\"wp-block-heading\">R\u00e9u informou nome falso a policiais durante abordagem<\/h2><p>Interposto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais, o recurso representativo da controv\u00e9rsia (REsp&nbsp;2.083.968) diz respeito a um homem acusado de fornecer nome falso a policiais durante uma abordagem. Contudo, antes do registro do boletim de ocorr\u00eancia e do interrogat\u00f3rio na delegacia, ele revelou sua verdadeira identidade.<\/p><p>Em primeiro grau, o r\u00e9u foi condenado pelo crime de falsa identidade, mas o Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais decidiu absolv\u00ea-lo por entender que a conduta n\u00e3o teve nenhuma repercuss\u00e3o administrativa ou penal.<\/p><p>&#8220;A retrata\u00e7\u00e3o posterior do agente quanto \u00e0 sua identidade, ainda que antes do registro do boletim de ocorr\u00eancia, n\u00e3o tem o cond\u00e3o de tornar at\u00edpica a sua conduta, nem mesmo sob o p\u00e1lio do instituto do arrependimento eficaz. Isso porque o delito j\u00e1 se encontra consumado com a simples atribui\u00e7\u00e3o de falsa identidade pelo agente, independentemente da verifica\u00e7\u00e3o de ulteriores consequ\u00eancias&#8221;, concluiu o ministro ao dar&nbsp;provimento&nbsp;ao&nbsp;recurso especial.<\/p><p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=316383006&amp;registro_numero=202302349175&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20250602&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.083.968<\/a>.<\/p><p><strong>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;<\/strong><strong>processo(s):<\/strong><strong> <\/strong><strong><a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%202083968\">REsp 2083968<\/a><\/strong><strong><\/strong><\/p><p><strong>Fonte: STJ<\/strong><\/p>\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200bSob o rito dos recursos\u00a0repetitivos\u00a0(Tema 1.255), a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que o delito de falsa identidade, previsto no\u00a0artigo 307 do C\u00f3digo Penal, \u00e9 crime de natureza formal, que se consuma quando o agente fornece, consciente e voluntariamente, dados inexatos sobre sua real identidade. 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