{"id":13779,"date":"2025-08-18T12:42:37","date_gmt":"2025-08-18T15:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/?p=13779"},"modified":"2025-08-18T12:42:38","modified_gmt":"2025-08-18T15:42:38","slug":"impedimento-de-licitar-se-restringe-ao-ambito-do-orgao-publico-que-impos-sancao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/impedimento-de-licitar-se-restringe-ao-ambito-do-orgao-publico-que-impos-sancao\/","title":{"rendered":"Impedimento de licitar se restringe ao \u00e2mbito do \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico que imp\u00f4s san\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A penalidade prevista na Lei de Licita\u00e7\u00f5es que impede o particular de participar de certames por certo per\u00edodo deve ser interpretada pelos administradores p\u00fablicos de forma estrita e de acordo com os limites impostos pela legisla\u00e7\u00e3o. Ao realizar licita\u00e7\u00f5es, esses agentes p\u00fablicos tamb\u00e9m devem observar os prazos legais para abertura de defesa e resposta ao licitante.<\/p><p>Essas duas recomenda\u00e7\u00f5es foram emitidas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paran\u00e1 (TCE-PR) ao Munic\u00edpio de Tamarana (Regi\u00e3o Norte), ao julgar procedente uma Representa\u00e7\u00e3o da Lei de Licita\u00e7\u00f5es movida pela empresa Ar Limp Ltda., em face do Preg\u00e3o Eletr\u00f4nico n\u00ba 27\/24, cujo objeto era a aquisi\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis ao longo do per\u00edodo de 12 meses, pelo valor total de R$ 484,6 mil.<\/p><p>Penalizada por outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos com a san\u00e7\u00e3o de impedimento de contratar com a administra\u00e7\u00e3o, a Ar Limp Ltda. foi desclassificada do Preg\u00e3o Eletr\u00f4nico n\u00ba 27\/24 de Tamarana. Na Representa\u00e7\u00e3o ao TCE-PR, essa empresa alegou que n\u00e3o interp\u00f4s recurso por n\u00e3o lhe ter sido concedido prazo para a apresenta\u00e7\u00e3o de defesa. Diante desse impedimento, a empresa informou ter encaminhado correspond\u00eancia eletr\u00f4nica informalmente ao setor de licita\u00e7\u00f5es do munic\u00edpio para contestar sua desclassifica\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria.<\/p><p>Segundo o hist\u00f3rico do processo, as san\u00e7\u00f5es de impedimento de contrata\u00e7\u00e3o foram aplicadas pelo Munic\u00edpio de Lidian\u00f3polis, pelo Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Paran\u00e1, e pela Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (MG), todas com fundamento no artigo 87, inciso III, da Lei n\u00ba 8.666\/93 &#8211; a Lei de Licita\u00e7\u00f5es anterior \u00e0 atual Lei n\u00ba 14.133\/21 -, penalidades que estavam vigentes quando foi desclassificada do preg\u00e3o de Tamarana.<\/p><p>Ao recorrer ao TCE-PR, em 2024, a empresa obteve medida cautelar para suspender o certame e, em seguida, ap\u00f3s apresentar sua defesa, o Munic\u00edpio de Tamarana revogou a licita\u00e7\u00e3o, solicitando o reconhecimento da perda de objeto e, consequentemente, o arquivamento da Representa\u00e7\u00e3o movida pela empresa.<\/p><p>No entanto, para o relator do processo, conselheiro Maur\u00edcio Requi\u00e3o, a revoga\u00e7\u00e3o da licita\u00e7\u00e3o n\u00e3o causaria a perda do objeto, de acordo com a jurisprud\u00eancia do pr\u00f3prio TCE-PR e do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU). Segundo o relator, &#8220;a resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, no caso sob an\u00e1lise, \u00e9 imprescind\u00edvel para confirmar a irregularidade da atua\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o e para evitar a sua repeti\u00e7\u00e3o, assumindo ao menos o car\u00e1ter orientativo&#8221;.<\/p><p><strong>Legalidade<\/strong><\/p><p>Para o conselheiro-relator, o procedimento licitat\u00f3rio promovido pelo Munic\u00edpio de Tamarana teve irregularidades que feriram os princ\u00edpios da legalidade e da vincula\u00e7\u00e3o ao instrumento convocat\u00f3rio (edital), em raz\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o a que estava submetida a empresa. No entendimento do conselheiro, as penalidades previstas, no \u00e2mbito em que foram aplicadas, se limitavam aos pr\u00f3prios entes que as impuseram e n\u00e3o se estendiam a toda a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p><p>Requi\u00e3o explicou que a Lei 8.666\/93, legisla\u00e7\u00e3o anterior com base na qual a Ar Limp Ltda. fora sancionada, diferencia as san\u00e7\u00f5es previstas nos incisos III e IV do artigo 87. Os termos utilizados da Lei de Licita\u00e7\u00f5es anterior, assim como a atual, a Lei Federal n\u00ba 14.133\/21, s\u00e3o claros ao caracterizar &#8220;administra\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221; como termos diferenciados.<\/p><p>A aplica\u00e7\u00e3o da penalidade, conforme o inciso III, do artigo 87 da Lei 8.666\/93, limitava o impedimento do penalizado em participar de licita\u00e7\u00f5es apenas no \u00e2mbito do ente que lhe aplicou a san\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o termo &#8220;administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, previsto no inciso IV do mesmo artigo 87, estende a penalidade \u00e0s administra\u00e7\u00f5es direta e indireta da Uni\u00e3o, dos estados, dos munic\u00edpios e do Distrito Federal. O artigo 6\u00ba da lei de licita\u00e7\u00f5es anterior, classifica desta forma ambos os termos, os quais n\u00e3o podem ser confundidos.<\/p><p>O parecer jur\u00eddico posterior, que orientou a administra\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio de Tamarana a confirmar a desclassifica\u00e7\u00e3o da empresa &nbsp;Ar Limp com base nas restri\u00e7\u00f5es impostas e limitadas aos entes que a penalizaram, teria ignorado os dispositivos.<\/p><p>&#8220;A inabilita\u00e7\u00e3o da representante, fundada em san\u00e7\u00f5es de impedimento de licitar e contratar aplicadas por outros \u00f3rg\u00e3os e entidades da administra\u00e7\u00e3o, extrapola os efeitos previstos na pr\u00f3pria lei para a san\u00e7\u00e3o aplicada. Na condu\u00e7\u00e3o das licita\u00e7\u00f5es, os agentes p\u00fablicos n\u00e3o devem criar restri\u00e7\u00f5es aos licitantes que excedam \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es legais ou edital\u00edcias&#8221;, orientou o conselheiro, ao noticiar que a administra\u00e7\u00e3o local violou as regras do pr\u00f3prio edital, ao negar prazo para manifesta\u00e7\u00e3o da licitante, em ofensa ao artigo n\u00ba 165, inciso I, al\u00ednea &#8220;c&#8221; da atual Lei de Licita\u00e7\u00f5es, que trata do prazo de tr\u00eas dias para a defesa em caso de inabilita\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Proced\u00eancia<\/strong><\/p><p>Em raz\u00e3o da proced\u00eancia das afirma\u00e7\u00f5es da representante, o conselheiro elaborou voto no sentido de recomendar ao Munic\u00edpio de Tamarana que, em futuras licita\u00e7\u00f5es, &#8220;considere que a penalidade prevista no artigo 87, III, da Lei n\u00ba 8.666\/1993 aplica-se exclusivamente no \u00e2mbito do ente sancionador e, da mesma forma, respeite o procedimento previsto na legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel e no edital , com a abertura de prazo para a manifesta\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00e3o de recurso e de prazo legal para a apresenta\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es recursais&#8221;.<\/p><p>A proposta de voto do relator foi aprovada por unanimidade pelos integrantes do Tribunal Pleno do TCE-PR, na sess\u00e3o de Plen\u00e1rio Virtual n\u00ba 14\/25, conclu\u00edda em 31 de julho. O Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 2028\/25, decorrente da decis\u00e3o colegiada, foi veiculado em 12 de agosto, na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.tce.pr.gov.br\/multimidia\/2025\/8\/pdf\/00396883.pdf\">edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 3.503 do Di\u00e1rio Eletr\u00f4nico do TCE-PR<\/a>. Cabe recurso.<\/p><p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p><figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Processo<\/strong>&nbsp;<strong>n\u00ba<\/strong>:<\/td><td>342955\/24<\/td><\/tr><tr><td><strong>Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba<\/strong><\/td><td>2028\/25 &#8211; Tribunal Pleno<\/td><\/tr><tr><td><strong>Assunto<\/strong>:<\/td><td>Representa\u00e7\u00e3o da Lei de Licita\u00e7\u00f5es<\/td><\/tr><tr><td><strong>Entidade<\/strong>:<\/td><td>Munic\u00edpio de Tamarana<\/td><\/tr><tr><td><strong>Interessados<\/strong>:<\/td><td>Ar Limp Ltda, Jane Gomes de Souza Uno, Juliana Gouveia dos Santos, Luzia Harue Suzukawa e Reinaldo Sergio Alves<\/td><\/tr><tr><td><strong>Relator<\/strong>:<\/td><td>Conselheiro Maur\u00edcio Requi\u00e3o de Mello e Silva<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p><strong>Fonte:&nbsp;TCE\/PR<\/strong><\/p>\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A penalidade prevista na Lei de Licita\u00e7\u00f5es que impede o particular de participar de certames por certo per\u00edodo deve ser interpretada pelos administradores p\u00fablicos de forma estrita e de acordo com os limites impostos pela legisla\u00e7\u00e3o. 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