{"id":17908,"date":"2026-03-23T15:32:57","date_gmt":"2026-03-23T18:32:57","guid":{"rendered":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/?p=17908"},"modified":"2026-03-23T15:32:58","modified_gmt":"2026-03-23T18:32:58","slug":"primeira-turma-do-stj-afasta-continuidade-delitiva-em-processo-sobre-multas-administrativas-do-inmetro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/primeira-turma-do-stj-afasta-continuidade-delitiva-em-processo-sobre-multas-administrativas-do-inmetro\/","title":{"rendered":"Primeira Turma do STJ afasta continuidade delitiva em processo sobre multas administrativas do Inmetro"},"content":{"rendered":"<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Resumo em linguagem simples: <\/strong><em>A regra da continuidade delitiva, usada no direito penal, permite que em certas circunst\u00e2ncias o juiz re\u00fana v\u00e1rios crimes do mesmo tipo e aplique a pena uma vez s\u00f3, por\u00e9m aumentada em determinado percentual \u2013 o que resulta em uma situa\u00e7\u00e3o melhor para o r\u00e9u do que se houvesse uma pena para cada crime. Neste julgamento, o STJ decidiu que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aplicar a regra da continuidade delitiva em casos de infra\u00e7\u00f5es administrativas sem que exista autoriza\u00e7\u00e3o expressa para isso na lei. Com esse entendimento, o tribunal restabeleceu as 15 multas aplicadas a uma empresa por causa de irregularidades em seus produtos, de modo que ela ter\u00e1 de pagar o valor de todas as penalidades somadas.<\/em><\/li><\/ul><p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aplicar o instituto da continuidade delitiva \u2013 previsto no artigo 71 do C\u00f3digo Penal \u2013 a infra\u00e7\u00f5es administrativas quando n\u00e3o houver autoriza\u00e7\u00e3o legal expressa.<\/p><p>Com esse entendimento, o colegiado acolheu&nbsp;recurso especial&nbsp;do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e restabeleceu multas impostas a uma empresa do setor aliment\u00edcio por irregularidades verificadas em seus produtos.<\/p><p>O caso teve origem em fiscaliza\u00e7\u00f5es realizadas em 2014, quando agentes do Inmetro emitiram 18 autos de infra\u00e7\u00e3o ap\u00f3s constatarem problemas em produtos expostos \u00e0 venda. Os autos foram posteriormente agrupados em 15 processos administrativos, todos com aplica\u00e7\u00e3o de multa.<\/p><p>O ju\u00edzo de primeiro grau reconheceu a ocorr\u00eancia da continuidade delitiva, por entender que as irregularidades envolviam produtos da mesma natureza e foram verificadas em contexto semelhante. A decis\u00e3o foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o (TRF2), que considerou excessivas as multas aplicadas e concluiu pela imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00e3o \u00fanica, nos moldes do artigo 71 do C\u00f3digo Penal.<\/p><p>Ao recorrer ao STJ, o Inmetro argumentou que a redu\u00e7\u00e3o das penalidades promovida pelas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias implicou a aplica\u00e7\u00e3o de regra pr\u00f3pria do direito penal no \u00e2mbito do direito administrativo sancionador, sem amparo na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L9933.htm\">Lei 9.933\/1999<\/a>, que trata da atua\u00e7\u00e3o da autarquia federal e disciplina as san\u00e7\u00f5es de sua&nbsp;compet\u00eancia.<\/p><h2 class=\"wp-block-heading\">Aplica\u00e7\u00e3o de instituto penal exige previs\u00e3o legal<\/h2><p>O relator do caso, ministro Gurgel de Faria, destacou que, embora precedentes anteriores do STJ tenham admitido a continuidade delitiva na esfera administrativa, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao analisar a nova Lei de Improbidade Administrativa no julgamento do&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4652910&amp;numeroProcesso=843989&amp;classeProcesso=ARE&amp;numeroTema=1199\">Tema 1.199<\/a>&nbsp;da&nbsp;repercuss\u00e3o geral, estabeleceu que a aplica\u00e7\u00e3o de categorias pr\u00f3prias do direito penal em outros ramos sancionat\u00f3rios depende de previs\u00e3o legal expressa.<\/p><p>Segundo o ministro, seria incoerente adotar a interpreta\u00e7\u00e3o restritiva fixada pelo STF apenas em hip\u00f3teses de improbidade administrativa \u2013 cujas san\u00e7\u00f5es apresentam maior gravidade e afinidade com o direito penal \u2013 e afast\u00e1-la quando se trata de infra\u00e7\u00f5es administrativas decorrentes de fiscaliza\u00e7\u00e3o rotineira.<\/p><p>Em seu voto, o relator lembrou ainda que a Primeira Turma do STJ, ao julgar o&nbsp;<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=266709424&amp;registro_numero=202302616975&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20240826&amp;formato=PDF\">REsp 2.087.667<\/a>, em agosto de 2024, considerou poss\u00edvel a ocorr\u00eancia de infra\u00e7\u00f5es administrativas em continuidade, mas explicou que essa hip\u00f3tese estava expressamente prevista no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2013\/lei\/l12815.htm#art48\">artigo 48, par\u00e1grafo 2\u00ba, da Lei 12.815\/2013<\/a>&nbsp;\u2013 aplic\u00e1vel \u00e0quele julgamento.<\/p><p>Por fim, ao dar&nbsp;provimento&nbsp;ao&nbsp;recurso especial, Gurgel de Faria observou que a aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do artigo 71 do C\u00f3digo Penal &#8220;configuraria indevida amplia\u00e7\u00e3o dos limites normativos impostos pelo legislador, em afronta ao princ\u00edpio da legalidade estrita, que rege o direito administrativo sancionador&#8221;.<\/p><p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=358469390&amp;registro_numero=202401769589&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20260310&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no AREsp 2.642.744<\/a>.<\/p><p><strong>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)\u00a0<\/strong><strong>processo(s): <\/strong><strong><a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=AREsp%202642744\">AREsp 2642744<\/a><\/strong><\/p><p><strong>Fonte: STJ<\/strong><\/p><p><\/p>\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regra da continuidade delitiva, usada no direito penal, permite que em certas circunst\u00e2ncias o juiz re\u00fana v\u00e1rios crimes do mesmo tipo e aplique a pena uma vez s\u00f3, por\u00e9m aumentada em determinado percentual \u2013 o que resulta em uma situa\u00e7\u00e3o melhor para o r\u00e9u do que se houvesse uma pena para cada crime. 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