{"id":22272,"date":"2026-09-01T15:01:25","date_gmt":"2026-09-01T18:01:25","guid":{"rendered":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/?p=22272"},"modified":"2026-09-01T15:01:26","modified_gmt":"2026-09-01T18:01:26","slug":"exigencia-de-comprovacao-previa-de-posse-de-equipamentos-por-licitantes-e-irregular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/exigencia-de-comprovacao-previa-de-posse-de-equipamentos-por-licitantes-e-irregular\/","title":{"rendered":"Exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de posse de equipamentos por licitantes \u00e9 irregular"},"content":{"rendered":"<p><em>Conselheiros reunidos em Sess\u00e3o do Tribunal Pleno do TCE-PR\/Cr\u00e9dito: Mauro Penteado\/TCE-PR<\/em><\/p><p><strong><em>Lei de Licita\u00e7\u00f5es estabelece que a comprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser imposta durante fase de habilita\u00e7\u00e3o. Pleno emitiu recomenda\u00e7\u00e3o a Itaperu\u00e7u, ap\u00f3s julgar Representa\u00e7\u00e3o parcialmente procedente<\/em><\/strong><\/p><p>Ao elaborar editais de licita\u00e7\u00e3o, a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica deve evitar cl\u00e1usulas que exijam comprova\u00e7\u00e3o de posse pr\u00e9via de equipamentos durante a fase de habilita\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a pr\u00e1tica pode restringir a competitividade entre as empresas participantes.<\/p><p>A recomenda\u00e7\u00e3o foi emitida pelo Tribunal de Contas do Estado do Paran\u00e1 ao Munic\u00edpio de Itaperu\u00e7u (Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba), ap\u00f3s o Pleno do TCE-PR julgar parcialmente procedente Representa\u00e7\u00e3o da Lei de Licita\u00e7\u00f5es formulada por empresa.<\/p><p>O relator do processo, conselheiro Fernando Guimar\u00e3es, explicou que foram identificadas irregularidades nos Preg\u00f5es Eletr\u00f4nicos n\u00ba 113 e n\u00ba 141\/2025, destinados \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos para a merenda escolar da rede municipal de ensino. Uma cl\u00e1usula do edital exigia, como condi\u00e7\u00e3o de habilita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para o Lote II \u00ad- Carnes, a comprova\u00e7\u00e3o de que a empresa licitante possu\u00edsse c\u00e2mara fria pr\u00f3pria em seu estabelecimento.<\/p><p><strong><br>Jurisprud\u00eancia<\/strong><\/p><p>Segundo o relator do processo, a exig\u00eancia de estrutura pr\u00f3pria e localizada no estabelecimento da licitante extrapola os limites legais previstos na Nova Lei de Licita\u00e7\u00f5es e Contratos (Lei n\u00ba 14.133\/2021). O artigo 67, inciso III, determina que a documenta\u00e7\u00e3o exigida deve se limitar \u00e0 indica\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es e do aparelhamento adequados e dispon\u00edveis para a execu\u00e7\u00e3o do objeto contratado, sem autorizar a exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de propriedade ou de localiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via desses bens.<\/p><p>As cortes de contas, como o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), seguem esse entendimento ao considerar que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel exigir equipamentos ou instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias das licitantes, bastando a declara\u00e7\u00e3o de disponibilidade, cuja verifica\u00e7\u00e3o deve ocorrer somente na fase de execu\u00e7\u00e3o contratual.<\/p><p>Guimar\u00e3es destacou ainda que o edital apresentava contradi\u00e7\u00f5es que refor\u00e7am o reconhecimento da irregularidade. Enquanto a minuta contratual, voltada \u00e0 fase de execu\u00e7\u00e3o da proposta vencedora, admitia \u201cc\u00e2mara fria pr\u00f3pria ou estrutura equivalente\u201d, a fase de habilita\u00e7\u00e3o previa, de forma mais restritiva, a obrigatoriedade de propriedade da instala\u00e7\u00e3o.<\/p><p>O conselheiro tamb\u00e9m observou que, embora a preocupa\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica com a seguran\u00e7a sanit\u00e1ria dos alimentos seja leg\u00edtima, a imposi\u00e7\u00e3o ultrapassa os limites legais e desconsidera alternativas equivalentes e seguras, como c\u00e2maras frias locadas ou terceirizadas, centros de distribui\u00e7\u00e3o licenciados e estruturas de armazenamento contratadas.<\/p><p>Por fim, o relator concluiu que as irregularidades n\u00e3o geraram ind\u00edcios de preju\u00edzo \u00e0s finan\u00e7as do Munic\u00edpio de Itaperu\u00e7u e que o Lote II acabou fracassando por motivos alheios \u00e0 restri\u00e7\u00e3o prevista no edital licitat\u00f3rio.<\/p><p><strong><br>Recomenda\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p><p>O relator do processo acompanhou o entendimento expresso na instru\u00e7\u00e3o elaborada pela Coordenadoria de Apoio e Instru\u00e7\u00e3o Suplementar (CAIS) e no parecer do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Contas (MPC-PR), votando pela proced\u00eancia parcial da Representa\u00e7\u00e3o da Lei de Licita\u00e7\u00f5es, com expedi\u00e7\u00e3o de recomenda\u00e7\u00e3o ao Munic\u00edpio de Itaperu\u00e7u.<\/p><p>A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 para que, na elabora\u00e7\u00e3o de editais e na defini\u00e7\u00e3o de exig\u00eancias de habilita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica em futuros certames, a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica se abstenha de impor requisitos que possam dificultar ou restringir a participa\u00e7\u00e3o de licitantes. Assim, o munic\u00edpio dever\u00e1 exigir a comprova\u00e7\u00e3o apenas para fins de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p><p>Os demais membros do Tribunal Pleno acompanharam, por unanimidade, a proposta de voto do relator, na Sess\u00e3o de Plen\u00e1rio Virtual n\u00ba 6\/2026, conclu\u00edda em 30 de abril. A decis\u00e3o est\u00e1 contida no Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 917\/26 &#8211; Tribunal Pleno, publicado no dia 7 de maio, na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.tce.pr.gov.br\/data\/files\/0B\/67\/1F\/DA\/B520E91062702ED9026B6394\/DETCPR_3667.pdf\">edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 3.667 do Di\u00e1rio Eletr\u00f4nico do TCE-PR<\/a>. Ela transitou em julgado em 1\u00ba de junho.<\/p><p><strong><u><br>Servi\u00e7o<\/u><\/strong><\/p><figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Processo n\u00ba<\/strong>:<\/td><td>254588\/25<\/td><\/tr><tr><td><strong>Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba<\/strong>:<\/td><td>917\/26 &#8211; Tribunal Pleno<\/td><\/tr><tr><td><strong>Assunto<\/strong>:<\/td><td>Representa\u00e7\u00e3o da Lei de Licita\u00e7\u00f5es<\/td><\/tr><tr><td><strong>Entidade<\/strong>:<\/td><td>Munic\u00edpio de Itaperu\u00e7u<\/td><\/tr><tr><td><strong>Interessados:<\/strong><\/td><td>Cristina Suelen de Oliveira Machado, Edilson Ruiz de Freitas, Josiane do Vale Ribeiro de Faria, Josiane do Vale Ribeiro de Faria Eireli<\/td><\/tr><tr><td><strong>Relator<\/strong>:<\/td><td>Conselheiro Fernando Augusto Mello Guimar\u00e3es<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure><p><strong><em>Autor: Diretoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/em><\/strong><\/p><p><strong>Fonte: TCE-PR<\/strong><\/p>\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de posse de equipamentos por licitantes \u00e9 irregular<\/p>\n<p>Lei de Licita\u00e7\u00f5es estabelece que a comprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser imposta durante fase de habilita\u00e7\u00e3o. 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