{"id":7455,"date":"2025-01-29T12:46:18","date_gmt":"2025-01-29T15:46:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/?p=7455"},"modified":"2025-01-29T12:46:20","modified_gmt":"2025-01-29T15:46:20","slug":"primeira-turma-do-stj-declara-ilegal-cobranca-de-tarifa-para-entrega-de-cargas-em-terminais-retroportuarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sgpsolucoes.com.br\/site\/primeira-turma-do-stj-declara-ilegal-cobranca-de-tarifa-para-entrega-de-cargas-em-terminais-retroportuarios\/","title":{"rendered":"Primeira Turma do STJ declara ilegal cobran\u00e7a de tarifa para entrega de cargas em terminais retroportu\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por maioria, que a cobran\u00e7a da tarifa Terminal Handling Charge 2 (THC2) pelos operadores portu\u00e1rios, em rela\u00e7\u00e3o aos terminais retroportu\u00e1rios, configura abuso de posi\u00e7\u00e3o dominante, na modalidade de compress\u00e3o de pre\u00e7os (<em>price squeeze<\/em>). Para o colegiado, a pr\u00e1tica viola a Lei 12.529\/2011, que regula a defesa da concorr\u00eancia no Brasil.<\/p><p>O entendimento foi fixado durante o julgamento de a\u00e7\u00e3o ajuizada pela empresa retroportu\u00e1ria Marimex, que questionava a cobran\u00e7a da THC2 pela operadora portu\u00e1ria Embraport. A tarifa era exigida para separa\u00e7\u00e3o, transporte e entrega de cargas do porto nos terminais retroportu\u00e1rios.<\/p><p>Segundo a Marimex, a THC2 j\u00e1 estaria inclu\u00edda na tarifa&nbsp;<em>box rate<\/em>&nbsp;(THC), cobrada para o desembarque da carga do navio. A empresa alegou que a cobran\u00e7a adicional representaria pagamento em duplicidade.<\/p><p>Embora, em primeira inst\u00e2ncia, o pedido tenha sido julgado improcedente, o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) determinou o afastamento da cobran\u00e7a, por entender que a exig\u00eancia da THC2 violava regras concorrenciais.<\/p><p>No recuso ao STJ, a Embraport sustentou a legalidade da cobran\u00e7a da THC2, com base na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/leis_2001\/l10233.htm\">Lei 10.233\/2001<\/a>&nbsp;e na&nbsp;<a href=\"http:\/\/web.antaq.gov.br\/portalv3\/pdfSistema\/Publicacao\/0000006902.pdf\">Resolu\u00e7\u00e3o 2.389\/2012<\/a>&nbsp;da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq), que regula o setor. A empresa argumentou que a ag\u00eancia teria&nbsp;compet\u00eancia&nbsp;regulat\u00f3ria para definir tarifas, promover revis\u00f5es e reajustes tarif\u00e1rios e reprimir a\u00e7\u00f5es que atentem contra a livre concorr\u00eancia ou infra\u00e7\u00f5es de ordem econ\u00f4mica.<\/p><h2 class=\"wp-block-heading\">Acesso \u00e0s instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias garante ambiente competitivo<\/h2><p>Para a relatora, ministra Regina Helena Costa, a&nbsp;compet\u00eancia&nbsp;regulat\u00f3ria conferida \u00e0 Antaq pela Lei 10.233\/2001 incorporou a concep\u00e7\u00e3o de que a garantia de acesso \u00e0s instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias por todos os atores do mercado constitui elemento indispens\u00e1vel ao incentivo do cen\u00e1rio competitivo, especialmente para impedir a concentra\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em reduzido n\u00famero de prestadores.<\/p><p>Ela apontou que os operadores portu\u00e1rios det\u00eam posi\u00e7\u00e3o dominante no mercado de infraestrutura portu\u00e1ria, podendo atuar tanto nas atividades de movimenta\u00e7\u00e3o de cargas nos portos quanto no seu posterior armazenamento, em concorr\u00eancia com os retroportos. Essa integra\u00e7\u00e3o vertical pode gerar ganhos de efici\u00eancia, mas tamb\u00e9m viabilizar pr\u00e1ticas que prejudiquem a concorr\u00eancia.<\/p><h2 class=\"wp-block-heading\">Cobran\u00e7a de servi\u00e7o essencial n\u00e3o pode criar vantagens injustas<\/h2><p>Conforme explicou a ministra, aplica-se ao caso a teoria das infraestruturas essenciais, segundo a qual o detentor da infraestrutura deve garantir acesso \u00e0s instala\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis ao exerc\u00edcio de atividades econ\u00f4micas pelos demais atores do mercado, especialmente quando a oferta de um produto ou servi\u00e7o n\u00e3o se viabiliza sem acesso ou fornecimento essencial.<\/p><p>De acordo com essa teoria, \u00e9 poss\u00edvel exigir tarifas para o acesso \u00e0 infraestrutura essencial, mas a cobran\u00e7a n\u00e3o pode criar vantagens econ\u00f4micas injustas para um competidor em detrimento de outros, sob pena de violar os princ\u00edpios da livre concorr\u00eancia previstos no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2011\/lei\/l12529.htm#art36\">artigo 36 da Lei 12.529\/2011<\/a>.<\/p><p>No entendimento da relatora, permitir que os terminais portu\u00e1rios exijam a THC2 de seus competidores diretos no mercado de armazenagem de bens oriundos do exterior como tarifa de acesso a insumo essencial ao exerc\u00edcio de suas atividades possibilita a compress\u00e3o dos pre\u00e7os praticados pelos retroportos.<\/p><p>Ao negar&nbsp;provimento&nbsp;ao recurso, Regina Helena Costa concluiu que a cobran\u00e7a configuraria as pr\u00e1ticas vedadas pela legisla\u00e7\u00e3o antitruste de dificultar a constitui\u00e7\u00e3o ou o desenvolvimento de concorrente; de impedir o acesso de competidor \u00e0s fontes de insumos ou mat\u00e9rias primas; e, ainda, de discriminar adquirentes ou fornecedores de servi\u00e7os mediante a fixa\u00e7\u00e3o diferenciada de condi\u00e7\u00f5es de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o.<\/p><p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=267987863&amp;registro_numero=202002591410&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20240927&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.899.040<\/a>.<\/p><p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)\u00a0processo(s):<a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201899040\"> REsp 1899040<\/a><\/p><p><strong>Fonte: STJ<\/strong><\/p>\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por maioria, que a cobran\u00e7a da tarifa Terminal Handling Charge 2 (THC2) pelos operadores portu\u00e1rios, em rela\u00e7\u00e3o aos terminais retroportu\u00e1rios, configura abuso de posi\u00e7\u00e3o dominante, na modalidade de compress\u00e3o de pre\u00e7os (price squeeze). 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