Foram fiscalizados US$ 21,7 bilhões em contratos de navios-plataforma do tipo floating production storage and offloading (FPSO)
Resumo
- O TCU realizou auditoria para analisar como a Petrobras contrata navios-plataforma, chamados de FPSO (floating production storage and offloading), usados para processar petróleo e gás no mar, armazená-los e depois transferi-los para outros navios.
- Fiscalização examinou o desempenho de produção de diferentes tipos de modelos de contratação de navios-plataforma.
O Tribunal de Contas da União (TCU) fez auditoria para analisar como a Petrobras contrata e opera navios-plataforma, chamados FPSO (floating production storage and offloading). Esses navios são usados para processar petróleo e gás no mar, armazená-los e depois transferi-los para outros navios. Eles são importantes para a Petrobras porque são mais flexíveis e rápidos de instalar do que as plataformas de exploração do tipo estacionárias.
De acordo com o Plano Estratégico 2024-2028, a Petrobras prevê a contratação de 14 novas unidades de FPSO. Nesse contexto, o volume de recursos fiscalizados alcançou aproximadamente US$ 21,7 bilhões, correspondentes ao somatório dos contratos analisados.
A auditoria identificou diferenças de desempenho entre navios-plataforma operados pela Petrobras, comparando unidades próprias e afretadas, com possíveis reflexos no cumprimento das metas de produção e de emissões de CO2 da companhia. A análise de indicadores operacionais e financeiros, produção, custos e investimentos ao longo do período de 2014 a 2024 mostrou que as duas modalidades apresentaram eficiência média semelhante, com índice de eficiência produtiva (IEP) próximo de 76%.
Ainda assim, as plataformas próprias registraram produção média cerca de 20% acima da média geral, enquanto as afretadas ficaram aproximadamente 17% abaixo e permaneceram, na maior parte do período analisado, com desempenho inferior à média.
Apesar desse resultado em termos de produção absoluta, a auditoria observou aumento da diferença entre a produção potencial e a produção efetivamente obtida nas plataformas próprias, que chegou a cerca de 22%. Como a produção potencial considera fatores geológicos dos campos, o resultado indica possível perda de eficiência operacional dessas unidades ao longo do tempo. O cenário resultou em recomendação à Petrobras para que elabore estudos com o objetivo de identificar eventuais declínios de produção nos FPSO próprios e possíveis medidas de recuperação aos níveis planejados.
A auditoria também analisou dados de emissões de poluentes das plataformas em operação. Considerando a quantidade de dióxido de carbono emitida por barril de óleo produzido, a média observada nos últimos dez anos foi de 16,74 kg/boe, valor ligeiramente acima da meta de até 15 kg/boe estabelecida pela Petrobras em seu Plano de Negócios 2025-2029. A fiscalização apontou que a meta estabelecida é factível de ser alcançada, especialmente levando em conta que os FPSO mais modernos já operam abaixo do nível máximo de emissões estabelecido.
Outro ponto analisado foi a forma como a Petrobras utiliza indicadores para avaliar e orientar decisões relacionadas aos modelos de contratação e operação dos navios-plataforma – se próprias, por afretamento, ou ainda pelo modelo built, operate and transfer (BOT).
Foram verificados os indicadores utilizados pela Petrobras em diferentes etapas do processo, incluindo parâmetros relacionados ao desempenho operacional e à eficiência das unidades. A análise buscou perceber se esses indicadores permitem comparar adequadamente diferentes modelos de contratação e operação de plataformas e se refletem de forma consistente os resultados efetivamente alcançados pelas unidades.
O TCU apontou que a ausência de análises estatísticas mais estruturadas pode limitar a capacidade de avaliar, com maior precisão, o comportamento e o desempenho das plataformas ao longo do tempo. Segundo a auditoria, sem esse tipo de abordagem analítica, torna-se mais difícil identificar padrões, tendências ou diferenças relevantes entre modelos de contratação e operação, o que pode comprometer a qualidade das decisões gerenciais.
Esse cenário pode gerar riscos de decisões baseadas em evidências incompletas ou insuficientemente analisadas, com possíveis impactos sobre a eficiência operacional, os custos e o alcance das metas estratégicas da companhia, incluindo objetivos relacionados à produção e à sustentabilidade.
Diante dessas constatações, o TCU recomendou que a Petrobras implemente procedimentos de análise preditiva, a exemplo de algoritmos baseados em aprendizado de máquina, de modo a subsidiar as análises de risco sobre os possíveis resultados dos processos licitatórios de FPSO e outros empreendimentos de elevada complexidade, tomando por base as condições de contorno dos projetos e do mercado. A medida busca fortalecer a base técnica das decisões e aprimorar o acompanhamento do desempenho das unidades de produção ao longo do tempo.
O relator do processo é o ministro Jorge Oliveira.
SERVIÇO
Leia a íntegra da decisão: Acórdão 537/2026 – Plenário
Processo: TC 010.382/2024-0
Sessão Extraordinária: 11/3/2026
Fonte: TCU








