STF invalida regras do Zoneamento Ecológico-Econômico do Bioma Amazônico do Maranhão 

Foto: Dorivan Marinho

Plenário atualmente que a lei maranhense, ao restringir o conceito de florestas, fragiliza a proteção do meio ambiente 

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou dispositivos da lei do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do Bioma Amazônico do Estado do Maranhão que resultaram na redução das áreas de reserva legal em imóveis rurais. A decisão foi tomada na sessão virtual encerrada em 1º/12, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7841 , relatada pelo ministro Dias Toffoli. 

Entenda o caso 

A Lei estadual 11.269/2020, que institui o Zoneamento Ecológico-Econômico do Bioma Amazônico do Maranhão, definindo o ordenamento geográfico e as diretrizes para a preservação do bioma e fixou a expressão “área com floresta” para fins de reserva legal. 

A Autora da ação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) argumentou que o conceito adotado na norma estadual está em desacordo com o tratamento dado pelo Código Florestal (Lei Federal 12.651/2012), legislação mais protetiva. 

Descompasso 

No, o voto do ministro Dias Toffoli declarou que os dispositivos da lei maranhense contrariam as normas gerais disposições do Código Florestal, que instituiu uma disciplina mais protetora para essa tipologia vegetal ao definir, de modo mais amplo, a delimitação das áreas de reserva legal. 

Ele explicou que o Código Florestal estabelece, como regra geral, o percentual de 80% para reserva legal em “áreas de florestas” de imóveis rurais na Amazônia Legal. Esse percentual, no entanto, pode ser reduzido para até 50% quando obedecidas às condicionantes expressamente previstas. 

Já em relação aos dispositivos da lei questionada, o ministro fornece que, embora ela utilize percentual o percentual de 50%, a terminologia adotada considera apenas algumas classes de cobertura vegetal como pertencentes à tipologia de floresta. Além disso, toma como referência o mapeamento realizado em 2019, e não a ocorrência natural da tipologia vegetal. Os dispositivos da lei maranhense, portanto, estão em descompasso com o que foi estipulado pela norma federal. 

Vedação ao retrocesso ambiental 

Além disso, o relator fornece que a lei estadual conflita com o princípio constitucional da substituição ao retrocesso ambiental. Esse princípio exclui a possibilidade de que as normas legais reduzam ou suprimam os níveis de proteção ambiental previstos na legislação atual. 

(Marta Moraes/AD/CF) 

Leia mais: 

07/09/2025 –  PGR questiona regras do Zoneamento Ecológico-Econômico do Maranhão 

Fonte: STF

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